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Ao escrever,
dou conta da ancestralidade;
do caminho de volta,
do meu lugar no mundo (Graça Graúna).
http://ggrauna.blogspot.com/
Ao escrever,
dou conta da ancestralidade;
do caminho de volta,
do meu lugar no mundo (Graça Graúna).
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selo ggrauna.bmp
A escrita é uma tecnologia de comunicação que consiste em marcas em um suporte, significando palavras ou idéias, desenvolvida historicamente nas sociedades humanas de forma independente em várias regiões do planeta, incluindo o Oriente Médio, a China, o vale do rio Indo(atual Paquistão, a América Central e a bacia oriental do mar Mediterrâneo. Os sistemas de escrita evoluíram de forma autônoma e não sofreram influências mútuas, ao menos em seus primórdios.Os hieróglifos se originaram no Antigo Egito e a escrita cuneiforme na Mesopotâmia., atual Iraque. Na China, foram encontrados 11 caracteres gravados em cascos de tartaruga. Um dos caracteres se assemelha à escrita primitiva da palavra "olho"da Dinastia Shang. Se os pesquisadores comprovarem que estes sinais podem ser considerados uma forma de escrita, esta passa a ser considerada a mais antiga do mundo, com cerca de 8600 anos.Como podemos perceber nosso estudo sobre a origem da escrita não se esgotou. Há muito por se pesquisar, principalmente nas Américas.Alguns estudiosos definem a escrita como parte do comportamento comunicativo humano de trocar informações; ou seja. a escrita é vista como uma forma de interação pela qual uma ação das mãos(com ou sem instrumento) deixa traços numa superfície qualquer para representar idéias, valores, eventos. Nessa concepção entendemos com clareza que a escrita se diferencia nas diversas culturas e entendemos também porque se diferencia.
Foi introduzida no Brasil pela colonização européia a escrita alfabética que registra no papel a fala e o som desde o século XVI. Pois bem:... Era menininha. Via meus irmãos e minhas irmãs com seus livros e cadernos escolares a ler e escrever. E os imitava. Minha mãe com uma borracha apagava um caderno em desuso e me proporciona momentos mágicos de me adentrar naquele mundinho de traços organizados no folha de papel. Fui me guiando pelas observações de minha mãe, que quase nada sabia e quase tudo sabia do mundo das letras. Até que chegou a minha vez de ir para a Escola. Fui e espantei em agilidade e destreza a minha primeira ou segunda professora: _" Ah! esta menina há muito já sabe ler!!"Minha primeira professora se apresentava em uma imagem de princesa- primeira segunda professora- devo colocar esta nota. Pois não é que a primeira- descobri com sensatez- foi minha mãe, que quase nada sabia e quase tudo sabia do mundo das letras?
Em geral ao longo da história, e principalmente nos seus primórdios, a escrita e sua interpretação ficavam restritas as camadas socialmente dominante: aos sacerdotes à nobreza,embora a escrita fenícia, tivesse fins essencialmente comerciais. A alfabetização somente se difundiu lentamente entre camadas mais significativas das populações após a idade média. E, lembrando, no Brasil o uso da escrita alfabética foi introduzida pelos colonização européia no século XV e trazia os vícios e as restrições da Idade Média . Era menininha e me chamavam _meus irmãos e minhas irmãs quando de mal comigo - por "Amarela". Por que "Amarela"? Era menininha e coletora. Vim do século passado, nascendo em Caeté. Coletava e me alimentava dos frutos dessa coleta: guabirobas, araçás, diversos frutos do mato, principalmente muricis. Pode ser que por causa dos deliciosos muricis que comia ganhasse um tom amarelo no meu ser. Mesmo tendo algumas vezes ouvido "o que seria do amarelo se não fosse o mal gosto" eu posso afirmar o bom sabor daquelas frutinhas amarelas e a energia dos raios de sol que elas me traziam. Assim com tantos muricis e aquela energia do sol, além de brincar feliz a menina "Amarela" aprendeu rapidamente a ler a escrita alfabética introduzida no Brasil pela colonização portuguesa. E lendo "As mais Belas Histórias", acreditava que no mundo tinha uma história acontecendo e a acontecer sempre, Mas não entendia as transformações. Não entendia porque minha mãe falava Guabiroba e eu escrevia gabiroba. Não entendia os belos cabelos e olhos negros profundos de minha mãe e sua saudade do Nheengatu que lhe vinha num cantar de longe, bem longe. Via aqueles azulejos decorados com belos rostos de indígenas sem saber que me legaram feições que meu pai chamava de "bugre" na sua indisposição e enfrentamento ao meu ser. Hoje, ainda busco entender como fazer para quer no mundo, a história não continue a acontecer pela imposição de poucos mas passe a ser a história transformada pelo nosso desejo e luta. Muitas meninas e muitos meninos não aprenderam a ler e escrever. Muitas meninas e muito meninos ainda hoje não aprendem a ler e escrever. Nós que aprendemos a escrita fonética introduzida em toda América e que também passamos a ensiná-la ainda não descobrimos a razão dessa não aprendizagem. Precisamos de ajuda. De muitos estudiosos, de diversos campos do saber. E precisamos muito, precisamos fundamentalmente, Graça Graúna, entender com clareza o verso que ilustra este Selo Literário e nos apropriarmos do sentido que ele traz.
Registro aqui minha admiração e respeito pelo trabalho da professora e escritora, de São José do Campestre, RN, remanescente potiguar Maria das Graças Ferreira, que tem contribuído de maneira significativa para uma melhor compreensão da minha índio-descendência .
Valdiva (professora, pedagoga , índio-descendente)
Foi introduzida no Brasil pela colonização européia a escrita alfabética que registra no papel a fala e o som desde o século XVI. Pois bem:... Era menininha. Via meus irmãos e minhas irmãs com seus livros e cadernos escolares a ler e escrever. E os imitava. Minha mãe com uma borracha apagava um caderno em desuso e me proporciona momentos mágicos de me adentrar naquele mundinho de traços organizados no folha de papel. Fui me guiando pelas observações de minha mãe, que quase nada sabia e quase tudo sabia do mundo das letras. Até que chegou a minha vez de ir para a Escola. Fui e espantei em agilidade e destreza a minha primeira ou segunda professora: _" Ah! esta menina há muito já sabe ler!!"Minha primeira professora se apresentava em uma imagem de princesa- primeira segunda professora- devo colocar esta nota. Pois não é que a primeira- descobri com sensatez- foi minha mãe, que quase nada sabia e quase tudo sabia do mundo das letras?
Em geral ao longo da história, e principalmente nos seus primórdios, a escrita e sua interpretação ficavam restritas as camadas socialmente dominante: aos sacerdotes à nobreza,embora a escrita fenícia, tivesse fins essencialmente comerciais. A alfabetização somente se difundiu lentamente entre camadas mais significativas das populações após a idade média. E, lembrando, no Brasil o uso da escrita alfabética foi introduzida pelos colonização européia no século XV e trazia os vícios e as restrições da Idade Média . Era menininha e me chamavam _meus irmãos e minhas irmãs quando de mal comigo - por "Amarela". Por que "Amarela"? Era menininha e coletora. Vim do século passado, nascendo em Caeté. Coletava e me alimentava dos frutos dessa coleta: guabirobas, araçás, diversos frutos do mato, principalmente muricis. Pode ser que por causa dos deliciosos muricis que comia ganhasse um tom amarelo no meu ser. Mesmo tendo algumas vezes ouvido "o que seria do amarelo se não fosse o mal gosto" eu posso afirmar o bom sabor daquelas frutinhas amarelas e a energia dos raios de sol que elas me traziam. Assim com tantos muricis e aquela energia do sol, além de brincar feliz a menina "Amarela" aprendeu rapidamente a ler a escrita alfabética introduzida no Brasil pela colonização portuguesa. E lendo "As mais Belas Histórias", acreditava que no mundo tinha uma história acontecendo e a acontecer sempre, Mas não entendia as transformações. Não entendia porque minha mãe falava Guabiroba e eu escrevia gabiroba. Não entendia os belos cabelos e olhos negros profundos de minha mãe e sua saudade do Nheengatu que lhe vinha num cantar de longe, bem longe. Via aqueles azulejos decorados com belos rostos de indígenas sem saber que me legaram feições que meu pai chamava de "bugre" na sua indisposição e enfrentamento ao meu ser. Hoje, ainda busco entender como fazer para quer no mundo, a história não continue a acontecer pela imposição de poucos mas passe a ser a história transformada pelo nosso desejo e luta. Muitas meninas e muitos meninos não aprenderam a ler e escrever. Muitas meninas e muito meninos ainda hoje não aprendem a ler e escrever. Nós que aprendemos a escrita fonética introduzida em toda América e que também passamos a ensiná-la ainda não descobrimos a razão dessa não aprendizagem. Precisamos de ajuda. De muitos estudiosos, de diversos campos do saber. E precisamos muito, precisamos fundamentalmente, Graça Graúna, entender com clareza o verso que ilustra este Selo Literário e nos apropriarmos do sentido que ele traz.
Registro aqui minha admiração e respeito pelo trabalho da professora e escritora, de São José do Campestre, RN, remanescente potiguar Maria das Graças Ferreira, que tem contribuído de maneira significativa para uma melhor compreensão da minha índio-descendência .
Valdiva (professora, pedagoga , índio-descendente)

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