quarta-feira, 28 de julho de 2010

Cora Cortalina

Ao escrever,

dou conta da ancestralidade;
do caminho de volta,
do meu lugar no mundo (Graça Graúna).

                                                                  
POEMINHA AMOROSO

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo..."
Cora Coralina





Das Pedras
 
                           Ajuntei todas as pedras


que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.

Uma estrada,
um leito,
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra.

Entre pedras
cresceu a minha poesia.
Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.
                                            
Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude
dos meus versos.


Cora Coralina


Aninha e suas pedras

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
Cora Coralina
                   Se temos de esperar, 
que seja para colher a semente boa
que lançamos hoje no solo da vida.
Se for para semear,
então que seja para produzir
milhões de sorrisos,
de solidariedade e amizade.
Cora Coralina

                                                                      

Meu Destino.

Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.

Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.

Não te procurei, não me procurastes –
íamos sozinhos por estradas diferentes.
                                                                    
Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida...

Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.                                                            
                                                                      
Esse dia foi marcado
com a pedra branca da cabeça de um peixe.

E, desde então, caminhamos                                    
juntos pela vida...
Cora Coralina

Não sei... Se a vida é curta
ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido, se não tocamos o
coração das pessoas.

Muitas vezes basta ter:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
Mas que seja intensa,
verdadeira, pura...
Enquanto durar.



         Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.
Cora Coralina



Lindo demais
Coração é terra que ninguém vê

Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Sachei, mondei - nada colhi.
Nasceram espinhos
e nos espinhos me feri.

Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Cavei, plantei.
Na terra ingrata
nada criei.

Semeador da Parábola...
Lancei a boa semente
a gestos largos...                                      
Aves do céu levaram.
Espinhos do chão cobriram.
O resto se perdeu
na terra dura
da ingratidão

Coração é terra que ninguém vê
- diz o ditado.
Plantei, reguei, nada deu, não.
Terra de lagedo, de pedregulho,
- teu coração. Bati na porta de um coração.
Bati. Bati. Nada escutei.
Casa vazia. Porta fechada,
foi que encontrei...
Cora Coralina






Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores.
Cora Coralina











O CÂNTICO DA TERRA
                                                                  Eu sou a terra, eu sou a vida. 
Do meu barro primeiro veio o homem. 
De mim veio a mulher e veio o amor. 
Veio a árvore, veio a fonte. 
Vem o fruto e vem a flor.                      
Eu sou a fonte original de toda vida. 
Sou o chão que se prende à tua casa. 
Sou a telha da coberta de teu lar. 
A mina constante de teu poço. 
Sou a espiga generosa de teu gado 
e certeza tranqüila ao teu esforço. 
Sou a razão de tua vida. 
De mim vieste pela mão do Criador, 
e a mim tu voltarás no fim da lida. 
Só em mim acharás descanso e Paz. 
Eu sou a grande Mãe Universal. 
Tua filha, tua noiva e desposada. 
A mulher e o ventre que fecundas. 
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor. 
A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu. 
Teu arado, tua foice, teu machado. 
O berço pequenino de teu filho. 
O algodão de tua veste 
e o pão de tua casa. 
E um dia bem distante 
a mim tu voltarás. 
E no canteiro materno de meu seio 
tranqüilo dormirás. 
Plantemos a roça.               
Lavremos a gleba. 
Cuidemos do ninho, 
do gado e da tulha. 
Fartura teremos 
e donos de sítio 
felizes seremos. 



                                                                                                   






Considerações de Aninha
Melhor do que a criatura,
fez o criador a criação.
A criatura é limitada.
O tempo, o espaço,
normas e costumes.





Erros e acertos.
A criação é ilimitada.
Excede o tempo e o meio.
Projeta-se no Cosmos
Cora Coralina 
PPSSSSSSS
s
oOOCântico da Terra 

terça-feira, 27 de julho de 2010

domingo, 25 de julho de 2010

A escrita e a história a escrever

--
Ao escrever,
dou conta da ancestralidade;
do caminho de volta,
do meu lugar no mundo (Graça Graúna).
http://ggrauna.blogspot.com/

quinta-feira, 22 de julho de 2010







Eu sou Professor

Nasci no primeiro momento em que uma pergunta
 saltou da boca de uma criança.
Tenho sido muitas pessoas em muitos lugares.
Sou Sócrates, estimulando a juventude de Atenas para descobrir
 novas idéias usando perguntas.
Sou Anne Sullivan, tamborilando os segredos do universo sobre
 a mão estendida de Helen Keller. Sou Esopo e Hans Christian Andersen, revelando a verdade
 por meio de muitas, muitas estórias.
Sou Darcy Ribeiro, construindo uma universidade a partir
 do nada no planalto brasileiro.
Sou Ayrton Senna, transformando a fama de herói esportista em recursos
 para educar crianças em seu país.
Sou Anísio Teixeira, na sua luta de democratização da educação para que todas as
crianças brasileiras tenham acesso à escola.
Os nomes daqueles que exerceram minha profissão constituem
 uma galeria da fama da humanidade: Buda, Paulo Freire, Confúcio, Montessori, Emília Ferreiro, Moisés, Jesus.
Eu sou também aqueles nomes e rostos que já foram esquecidos, mas cujas lições e cujo caráter serão para sempre lembrados nas realizações dos que educaram.
Já chorei de alegria em casamento de ex-alunos, ri de felicidade pelo nascimento de seus filhos e me quedei de cabeça baixa, em dor e confusão, junto a sepulturas cavadas cedo demais para corpos jovens demais.
No decorrer de um dia já fui chamado para ser artista, amigo, enfermeiro, médico, treinador; tive de encontrar objetos perdidos, emprestar dinheiro, fui motorista de táxi, psicólogo, substituto de pai e mãe, vendedor, político e guardião da fé.
Apesar de mapas, gráficos, fórmulas, verbos, histórias e livros, na verdade não tive
nada a ensinar aos meus alunos porque o que eles de fato têm de aprender é quem eles são.
Eu sei que é preciso um mundo para ensinar a uma pessoa quem ela é.
Eu sou um paradoxo. Quanto mais escuto, mais alta se faz ouvir a minha voz.
Quanto mais estou disposto a receber com simpatia o que vem
de meus alunos, mais tenho a
oferecer-lhes.
Riqueza material não faz parte dos meus objetivos, mas eu sou um caçador de
tesouros, dedicado em tempo integral à procura de novas oportunidades para meus alunos
usarem seus talentos e buscando sempre descobrir seu potencial, às vezes enterrado sob o
sentimento do fracasso. Sou o mais afortunado dos trabalhadores.
Um médico pode trazer uma vida ao mundo num só momento mágico.
A mim é dado cuidar que a vida renasça a cada dia com novas perguntas, melhores
idéias e amizades mais sólidas.
Um arquiteto sabe que, se construir com cuidado, sua estrutura pode durar séculos.
Um professor sabe que, se construir com amor de verdade, sua obra com certeza
durará para sempre.
Sou um guerreiro que luta todos os dias contra a pressão, a negatividade, o medo, o
conformismo, o preconceito, a ignorância e a apatia. Mas tenho grandes aliados: a
inteligência, a curiosidade, a individualidade, a criatividade, a fé, o amor, o riso.
Todos vêm reforçar minha trincheira.
E a quem devo agradecer pela vida maravilhosa senão a vocês, pais, que me
honraram ao confiar seus filhos, que são sua maior contribuição para a eternidade.
E assim, tenho um passado rico em recordação.
Tenho um presente desafiador, cheio de aventuras e alegrias, porque me é dado
passar todos os meus dias com o futuro.
Sou professor... e agradeço a Deus por isso, todos os dias”.
JOHN W. SCHLATTER ( adap. Guiomar N. Mello )


Este texto  publico como homenagem merecida a todo e toda que se dedica ao trabalho docente e reconhece a importância do ato de ensinar para transformação que precisamos ainda alcançar.


Valdiva