Mãos Dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Onde o mar e o tempo
Onde o mar, eu flutuo.
Estou acelerado,
então o tempo… recuo.
Onde o mar, eu navego.
Estou consumado,
então o tempo… me nego.
Onde o mar, eu sonho.
Estou fragmentado,
então o tempo… me recomponho
Onde o mar, eu reflito.
Estou amordaçado,
então o tempo… grito.
Onde o mar, eu enjoo.
Estou ancorado,
então o tempo… lanço-me no voo.
Onde o mar, eu naufrago.
Estou desequilibrado,
então o tempo… me embriago
Onde o mar, eu me jogo.
Estou angustiado,
então o tempo… me afogo
Onde o mar, eu afundo.
Estou cansado,
então o tempo… abandono o mundo.
Carlos Couto
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